contos

XXX dia

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Está quasi frio. Nunca como na Itália, mas é a primeira vez que sinto frio de verdade aqui no Brasil.
Hoje foi o dia do encontrona oficina de literatura. O dever de casa era muito difícil. Escrever um conto sobre as interlineas da história contada pelo Tchecov do jogador que depois ter ganhado um milão no cassino, se suicida.
Na verdade, ainda faço muitos erros ortográficos, mas tomara que o treino contínuo na escritura me ajudará a melhorar.
Esse é o conto que escreví.

O vencedor

Que idiotas! Enquanto estava sentado p mesa de blackjack, quanto gostei de observá-los estremecer. Um bando de perdedores invejosos, que venderia a alma só para ter um pouco da minha sorte. Dava pra perceber tudo o calor da raiva que eles cuspivam pelos olhos. Lance a lance, eu destruiu a auto-estima deles, tornando-me a pessoa que mais odiam no mundo e, ao mesmo tempo, a pessoa que  mais querem ser.

Vocês também tem inveja de mim, não é? Idiotas! Acreditam que a felicidade está nesta pilha de dinheiro? Olham para mim! Eu dou a mínima para esse dinheiro! Eu posso até rasgar-lo, dar-lhe fogo e depois mijar-lhe sobre.

Porque eu não sou um idiota! Para mim o importante sempre foi vencer. Eu sou um vencedor e venci. Ninguém podia me derrotar. Sabem porque? Porque eu acredito que não tenho nada pra perder, além da vida. Então, só a morte talvez poderia me derrotar. Mas eu sou esperto e inteligente. Eu não vou ficar aqui esperando e implorando por mais uma gota de vida, quando Ela me pegar de surpresa. Por isso, agora eu vou puxar essa merda de  gatilho.
Eu não sou como eles. Eu não sou como vocês. Eu sou um vencedor. E, como um verdadeiro vencedor, sou eu que decido como e quando perder.

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XIX dia

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Escrevi um conto. Estou frequentando uma oficina de criação literária e sei que parece bobagem, porque ainda sou muito estrangeira para escrever corretamente em português, mas fiz a inscrição, foi selecionada e agora estou dando o melhor de mim para me sair bem dessa experiência.
O dever de casa por o próximo encontro é um conto sobre a “armadilha”. Depois de um lungo tempo a pensar, escrevi isso. Acho que vou escrever outro, porque nunca conseguiria lê-lo na frente dos meus colegas. Muito intimo, muito personal….
Mas quero que viva aqui nessas minhas paginas segretas.

SOBRE ISSO

Preciso falar com eles sobre o que me tormenta por dentro, não posso continuar assim. Mas estou com medo. Medo de errar, medo de machucar….
Por enquanto, machuco mi mesma com esse silêncio, que não é silencioso porque na minha cabeça tem uma voz que grita: “Fale! Fale sem medo! Eu sei que você nunca tive essa coragem; eu sei que agora o seu coração parece explodir no peito, mas fale! Sabe, as palavras não ditas são pedregulhos que se acumulam e constroem muros. Não permite isso! Sua alma é tão frágil, tão leve! Deixá-la livre. Fale e seja livre!”
Gostaria acreditar nessa voz, jogar fora todas as palavras, para me sentir bem, como um náufrago que, depois de um longo mergulho, cansado, encontra finalmente uma ilha. 
Não todas as ilhas tem armas, mas a armadilha da culpa me prende e não me deixa falar.